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Por Luís Ribeiro A capacidade de prever acontecimentos é um dos pontos mais fascinantes e controversos da Astrologia. À muito que as previsões astrológicas atraem os curiosos, atemorizam os supersticiosos e ofendem os cépticos. Em termos simplistas, a previsão surge associada à capacidade de adivinhar, por meios misteriosos e pouco claros, os acontecimentos futuros. Estes têm geralmente um carácter negativo ou estão focados satisfação de um desejo ou expectativa específicos. O público em geral associa a previsão a bruxaria, mediunismo, vidência, etc. A
previsão astrológica popular é encabeçada
pelos famosos horóscopos de revista. Este tipo de pseudo-astrologia
põe completamente de parte a especificidade individual que é
essencial em Astrologia. Partem do princípio absurdo que qualquer
pessoa com o mesmo signo solar responde da mesma forma ao ambiente.
Portanto as previsões são iguais para os milhões
de pessoas do mesmo signo. Por muito inofensivo que este tipo de coisas seja, tem sido uma das principais causas da má divulgação da Astrologia. O que é afinal a previsão em Astrologia? Em Astrologia entende-se por previsão a capacidade de calcular o momento em que determinados potenciais contidos num mapa astrológico se manifestam. Estes momentos podem ser referenciados a um indivíduo, a um evento, a uma nação, etc. Qualquer previsão astrológica tem como base um mapa astrológico (o mapa natal de um indivíduo, de uma nação, de um ciclo planetário, etc) e consiste na aplicação de uma ou mais técnicas de análise temporal ao mapa em questão. Nunca é demais frisar que a previsão é sempre antecedida pelo estudo e delineação do mapa em questão. Deste estudo resulta uma compreensão detalhada dos padrões e tendências da entidade em análise. Só a partir destes padrões natais se podem calendarizar fases de vida, pontos de crise e acontecimentos. Compreende-se assim a razão pela qual diferentes mapas (que têm, à partida, padrões de base distintos) vão gerar eventos diferentes em tempos diferentes. Como são obtidos esses tempos e fases de vida? Existem várias técnicas astrológicas de previsão. Aqui ficam as descrições resumidas das principais técnicas: Os
Trânsitos comparam directamente as posições
planetárias do momento com as do mapa natal. É uma técnica
de cálculo fácil e com uma eficácia satisfatória,
tendo assim grande popularidade entre os astrólogos e estudantes. As Progressões Secundárias são provavelmente a segunda técnica mais utilizada. Utilizam uma medição de tempo simbólica que faz equivaler 1 dia (após o nascimento) a 1 ano de vida. Tal como nos Trânsitos a posição e movimento dos planetas progredidos vai ser comparada à dos mapas natais. Os Retornos Solares, também conhecidos por Revoluções Solares, são outra técnica popular. Consiste no cálculo, em cada ano, de um mapa astrológico para o momento em que o Sol retorna ao grau exacto de nascimento. A partir das posições deste mapa e da sua comparação com o mapa natal são tiradas conclusões para o ano em questão. As Direcções de Arco Solar são também muito utilizadas. Neste tipo de estudo todos os planetas são movimentados ao longo do Zodíaco ao mesmo "passo" que o Sol. Assim, ao longo de um ano, todos os planetas deslocam-se aproximadamente 1º fazendo aspectos e conjunções às posições natais. As
Direcções Primárias, embora muito pouco
utilizadas na actualidade são consideradas a "jóia
da coroa" da previsão astrológica. Esta técnica
é muito antiga e baseia-se no movimento do Primum Mobile, ou
seja o movimento aparente da esfera celeste de Este para Oeste ao longo
de 24 horas. Existem ainda muitas outras técnicas interessantes mas menos conhecidas: as Direcções Terciárias (relacionadas com o movimento das Lunações), os Firdaria (períodos planetários), as Profecções (movimento simbólico de 1 ano = 30º), o Ponto de Idade ou Age Point que avança o Ascendente 6 anos por cada casa, entre outras. Como se encaixa a Previsão na prática astrológica? A
prática astrológica actual tende a evitar palavra "Previsão".
Isto deve-se à grande influência das filosofias "New
Age" que advogam (muitas vezes exageradamente) o livre arbítrio
e a capacidade de escolha individual. Este facto contradiz pontos importantes
da filosofia base da Astrologia: se o indivíduo fosse totalmente
livre de condicionamentos astrais, não faria sentido utilizar
a Astrologia para descrever a sua personalidade e padrões comportamentais.
Existe
actualmente um movimento de recuperação do conhecimento
preditivo. Estão a ser feito estudos das antigas técnicas
e o núcleo preditivo da Astrologia está a ser devidamente
restaurado.
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