|
|
|||
Por Helena Avelar e Luís Ribeiro Nos últimos tempos tem sido posto a circular um abaixo-assinado protestando contra o excessivo tempo de antena que os meios de Comunicação têm dado aos programas sobre Astrologia e temas afins. Pretende este abaixo-assinado reduzir ou eliminar estes programas das televisões, substituindo-os por produções de melhor qualidade, nomeadamente de divulgação cultural. Paralelamente, tem decorrido em várias escolas um debate sobre Astronomia e Astrologia, no qual, segundo nos informaram, esta última tem sido apresentada como uma fraude. Na qualidade de astrólogos e professores de Astrologia temos sido repetidamente instados a responder a estes ataques, saindo em defesa da Astrologia. Alunos, colegas, amigos pessoas que gostam de Astrologia e que se ressentem por vê-la deturpada perguntam-nos por que motivo ainda não nos pronunciámos. É a todas essas pessoas que dirigimos agora a nossa resposta. Começamos por dizer, para que não restem dúvidas, que concordamos que é imperativo defender a Astrologia. Todos o que estudam e respeitam esta fascinante área do conhecimento e que têm a noção da sua amplitude sentem necessidade de fazê-lo. Contudo,
entendemos que no panorama actual a melhor defesa da Astrologia não
será sair a público respondendo aos seus detractores.
A melhor defesa da Astrologia reside no esclarecimento do público,
na clarificação de confusões ligadas ao tema e
na definição das suas bases e propósitos. O primeiro ponto a esclarecer será, portanto, definir aquilo que para nós não é Astrologia e que, portanto, não nos dispomos a defender. A nosso ver, não é Astrologia o que se discute nesses programas televisivos nem tãopouco aquilo que se desmascara nesses debates. Não defenderemos nenhuma destas versões pois consideramos que nenhuma delas representa a Astrologia na sua dimensão mais profunda e digna. Os programas televisivos A Astrologia (no sentido mais popular do termo) tornou-se actualmente um fenómeno de moda, largamente aproveitado pelos meios de comunicação para gerar audiências. Enquanto assim for, continuará a ser apresentada de forma simplista e distorcida. Aliás,
se encararmos a Astrologia no seu sentido mais sério e profundo,
podemos afirmar que não existem programas de Astrologia na televisão
portuguesa (e existirão, acrescente-se, muito poucos em todo
o Mundo). O que existe são programas de entretenimento, que se
aproveitam da versão popular da Astrologia (e da triste prestação
de supostos astrólogos) para captar audiências. Consideramos mesmo que alguns destes programas exploram o assunto de forma degradante, o que prejudica não só a Astrologia mas a própria cultura do nosso país. Nesse sentido, pode dizer-se que somos a favor do referido abaixo-assinado, pois gostaríamos que esses programas fossem substituídos por outros, de bom gosto e de interesse cultural sejam ou não na área da Astrologia. Acrescente-se contudo que a falta de qualidade televisiva não é exclusiva dos programas sobre astrologia. Trata-se de um problema generalizado nos vários canais e originado pela guerra das audiências (note-se que a qualidade é sempre a primeira vítima desta guerra). Assim, mesmo que os referidos programas venham a ser suprimidos, isso não implica que esse tempo de antena passe a ser ocupado por programas de qualidade; o mais provável é que os programas de fraca qualidade sobre Astrologia sejam substituídos por programas sobre outro tema qualquer, também de fraca qualidade. Os debates No que diz respeito aos debates, levanta-se a questão do desconhecimento: os organizadores (nenhum deles astrólogo) insistem em confundir com os tão divulgados horóscopos de revista e as famosas previsões anuais com Astrologia. Tomando como base essas fracas provas dão-se ao trabalho de fazer estudos sobre a sua fiabilidade. Assim, o que estão supostamente a desmascarar é justamente o que todos os profissionais sérios de Astrologia procuram desde há muito esclarecer: estes horóscopos e previsões são apenas passatempos, pelo que não devem ser levados a sério. Nesse sentido, poderíamos agradecer-lhes o trabalho que tiveram, pois vem corroborar aquilo os astrólogos profissionais sempre defenderam. Não estamos por isso contra este tipo de esclarecimentos. O que não concordamos é com a forma como têm sido levados a cabo, pois os organizadores destes debates continuam a confundir estes passatempos populares com a Astrologia. Este
parece, aliás, ser a sua maior dificuldade: na sua ânsia
de atacar a Astrologia e os seus praticantes, esquecem-se de se documentar
devidamente sobre o tema. Assim, não conseguem perceber que estão
a errar o alvo e prosseguem os seus ataques mesmo quando lhes é
claramente explicada a diferença entre horóscopos e Astrologia. Abrindo
caminho na confusão
Actualmente
qualquer um pode dizer que é astrólogo. Nunca como hoje houve tanta divulgação enganosa, tanta deturpação e tanto oportunismo ligado à Astrologia. Nunca o tema levantou tantas reacções extremas: deslumbramento para uns, dúvida para outros, medo para uns quantos e recusa sobranceira para muitos. E, acrescente-se, continuam a ser uma minoria aqueles a quem o assunto suscita uma verdadeira e profunda vontade de aprender. E
é aqui que reside grande parte do problema: a Astrologia é
complexa. A sua aprendizagem exige esforço, maturação
e profundidade de pensamento. Infelizmente, a maioria dos seus supostos
praticantes não tem ideia da sua complexidade e abrangência.
Esta ignorância é a principal responsável pelas
enormes deturpações na prática e aplicação
da Astrologia actual. Por
tudo isto, não queremos sair apressadamente em defesa de algo
que precisa, antes do mais, de ser depurado de graves mal-entendidos. Quem
conhece o nosso trabalho sabe que esta tem sido desde sempre a nossa
posição: desde há muito que alertamos para a
necessidade urgente de uma clarificação nesta área.
Acreditamos que apenas o trabalho contínuo, estruturado e coerente pode devolver à Astrologia a dignidade que lhe é devida. Aceite-se
ou não a validade da Astrologia (e diga-se que não é
uma questão de crença mas de compreensão), o facto
é que ela sempre fez parte do património de conhecimentos
da Humanidade.
Copyright © 2003 Helena Avelar e Luis Ribeiro
|
|||
|
|
|||
|