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Astrologia e terapias alternativas No actual
panorama da Astrologia em Portugal começa a surgir, de forma cada
vez mais premente, o problema das misturas indevidas das chamadas "terapias
alternativas". O maior problema
parece ser a falta de um critério comum, capaz de servir de padrão
a uma oferta sempre crescente mas de qualidade muito variável. A "filosofia"
que serve de base a estas misturas assenta em princípios universais.
Estes princípios contém, de facto, uma verdade irrefutável.
Contudo, à força de serem repetidos e deturpados, acabaram
por perder grande parte da sua força, tornando-se lugares comuns. Holístico sem "mistura" Importa realçar
que estas misturas não são, necessariamente, "erradas"
ou prejudiciais. A abordagem interdisciplinar, quando responsável
e esclarecida, tem resultados reconhecidamente válidos e positivos. Está, de resto, reconhecida a existência de uma base comum ao conhecimento esotérico, uma correspondência simbólica profunda entre factores (só) aparentemente separados. Apesar do abuso e da descontextualização a que está tantas vezes sujeita, a abordagem holística mantém o seu valor. É, de resto, a única abordagem verdadeiramente capaz de fazer justiça à dimensão humana, nas suas facetas física, emocional, mental e espiritual. Pena é que esta abordagem seja tantas vezes usada como desculpa para a ignorância e apresentada como resposta universal, capaz de responder a tudo e calar todas as perguntas. No caso específico da Astrologia, importa frisar que se trata de uma disciplina cuja complexidade e profundidade vai muito além da sua versão mais popular, divulgada em jornais e revistas. É um corpo de conhecimentos muito vasto, com uma dinâmica e uma coerência próprias. Abrange áreas como o desenvolvimento individual e a psicologia de massas, e integra questões históricas, políticas, médicas, financeiras e espirituais, para citar apenas algumas. Esta auto-suficiência, contudo, nunca excluiu a interacção com outros ramos do conhecimento. Muitos foram os astrólogos que, no passado, recorreram à combinação de diversos conhecimentos (astrológicos e não-astrológicos), com resultados muito favoráveis. O que os
distinguia dos actuais praticantes era o conhecimento profundo e responsável
das disciplinas que usavam de forma combinada. Actualmente, continua a ser possível articular (mas sem misturar) a Astrologia com outras disciplinas, desde que tal seja feito com plena consciência por parte do astrólogo e, obviamente, com a aceitação do consulente. Existem,
contudo, dois requisitos essenciais para que a consulta de Astrologia
seja válida e benéfica. Em resumo:
para que a consulta de Astrologia seja válida, benéfica
e construtiva, é preciso que exista um conhecimento profundo e
uma grande sensibilidade por parte de quem assume a responsabilidade de
consultar, e um sólido bom senso e uma expectativa realista por
parte de quem a recebe. "Muita parra, pouca uva..." Outro grande problema resultante da mistura indevida de disciplina é o facto de darem azo a grandes teorias, quantas vezes sonantes e elaboradas, mas que não apresentam resultados práticos e fiáveis. Embora estas alternativas afirmem promover o desenvolvimento pessoal, muitas delas apenas servem para manter e reforçar estados de "apatia espiritual" e de falta de auto-consciência. (De resto, a satisfação e o "bem-estar" pessoal não são necessariamente sinónimo de desenvolvimento e crescimento - basta ver o exemplo da vida de grandes pensadores, filósofos e mestres espirituais para o compreender). Desconfiemos,
portanto, das "misturas astrológicas" que tudo prometem
- desde a saúde ao amor, passando pelo dinheiro e pelas "iniciações
espirituais" - sem pedir em troca qualquer verdadeiro esforço
de auto-consciência ou de disciplina pessoal. (Em 99% dos casos,
o suposto ganho de consciência e desenvolvimento espiritual prometidos
não passam de formas de reforço e "engorda" do
ego...) Para a ajudar
verdadeiramente os outros nestas crises, o astrólogo deve começar
por ajudar-se a si mesmo. É indispensável que desenvolva
um trabalho pessoal e contínuo de conciência e maturidade. O nosso desafio para o futuro será o de desenvolver uma noção global de "ecologia humana e espiritual". Como base desta "ecologia" teremos a já referida sensibilidade, que nos permite entrar em empatia com os outros, e o proverbial bom-senso, que nos impede de "levantar os pés do chão". O objectivo último será sempre o respeito pelo equilíbro e pelos os "tempos de crescimento" de cada consulente, evitando informação excessiva e misturas indigestas.
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